APP - Associação Portuguesa de Psicogerontologia

Partidos criticam ausência de uma rede pública de apoio a idosos

18.02.11 · NOTÍCIAS


Assistência aos idosos “foi entregue pelo Estado às IPSS”, que não têm resposta para todos.

O Estado não tem investido numa rede pública de apoio aos idosos. Esta é a principal queixa dos partidos políticos em relação às respostas sociais para os casos dos idosos isolados que acabam por morrer sozinhos, destaca o DN. A assistência aos mais velhos, dizem os deputados, foi entregue pelo Estado às Instituições Particulares de Solidariedade Social ( IPSS), que não conseguem dar resposta a todos. Já o presidente do Instituto da Segurança Social acredita que o sistema actual “está no bom caminho” e que tem sido “suficiente”.

 A questão não é nova, dizem os deputados da Comissão Parlamentar de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública, mas o problema “vai-se agravar no futuro, com o aumento da população idosa”, admite Jorge Machado, do PCP. “As respostas são manifestamente insuficientes e as que há no terreno são pertença das IPSS, que acabam por tomar opções economicistas”, aponta a deputada do BE Mariana Aiveca.

 Os casos recentes de idosos descobertos em casa mortos há anos ou semanas não surpreendem a social-democrata Maria José Nogueira Pinto. “O que me espanta é que o País já tinha conhecimento de todos os dados da solidão dos idosos e só agora acordou por causa de uma notícia”, critica.

A deputada do PSD acrescenta ainda que “o que se fez foi prosseguir políticas que há 20 anos faziam sentido, mas neste momento o problema é de uma dimensão tal que é obsceno voltar a discutir as mesmas coisas de há 30 anos”. Ao longo das décadas, faltou uma “ mudança qualitativa”, diz Maria José Nogueira Pinto. Alterações qualitativas que a deputada socialista Maria José Gamboa reconhece serem necessárias.

 “O apoio domiciliário é igual para todos os idosos; devia haver uma equipa multidisciplinar a acompanhar estes idosos, com psicólogos e técnicos que não limpassem apenas as casas, mas que acompanhassem os idosos ao médico, ao cinema ou às compras”, exemplifica. Outro exemplo é a “flexibilização do acolhimento em lares e centros de noite.” Aqui, o papel do Estado deve ser no sentido de “potenciar e fazer respeitar um conjunto de regras”, defende Maria José Gamboa, acrescentando que “cabe à sociedade ter um papel mais activo”.

Por agora, adianta, o Estado “tem tido um investimento fortíssimo para apoiar o acolhimento dos idosos, financiando programas e instituições”. No entanto, o responsável do PCP considera que o Estado “empurra a responsabilidade para as IPSS e depois subfinancia estas instituições”.