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Cegos ensinam idosos a utilizar computadores

14.04.10 · NOTÍCIAS


Cerca de 150 idosos de Odivelas estão a aprender a utilizar o computador. A formação é ministrada por cegos ou pessoas com reduzida visão, para mostrar que a informática está ao alcance de quase todos, independentemente da idade e das capacidades.

Numa sala da sede da Vodafone, no Parque das Nações, dez idosos fixam atentamente os ecrãs à sua frente. Maria da Conceição, 61 anos, ainda demora a encontrar as letras que pretende, mas as mãos abertas sob o teclado mostram que reteve os conselhos dos instrutores no sentido de não utilizar apenas os indicadores para escrever no computador, como tende a fazer um iniciado.

E o termo mais correcto para descrever a sexagenária nem sequer é iniciada mas sim estreante. “Nunca tinha usado um computador. Só sabia o que era o teclado e o rato. Até chamei visor ao ecrã”, ri-se Maria da Conceição.

Num só dia, a reformada e outros nove seniores do “Cantinho do Idoso”, uma instituição particular de solidariedade social (IPSS) da Pontinha, em Odivelas, aprenderam algumas noções de como editar documentos Word, consultar páginas da Net, enviar e-mails e utilizar o Messenger.

Maria da Conceição, que quer aprender a pagar contas e a fazer compras através da internet, ficou tão entusiasmada com o dia passado a teclar que promete dar uso a um computador que tem lá para casa a apanhar pó. “Agora não quero outra coisa. Quando chegar a casa vou ligá-lo. Já não lavo a roupa, é só computador”, brinca.

Também satisfeita, embora já muito “cansada da vista”, está Beatriz Pereira, 69 anos. “Há muitos anos, brincava no computador com o meu marido, a fazer joguinhos. Quando a minha filha saiu de casa, há 13 anos, levou-o”, conta a reformada, em jeito de justificação para já não se lembrar de como se usa a máquina.

A aula foi ministrada por formadores invisuais ou com reduzida visão da Associação Promotora do Ensino dos Cegos. O coordenador Vítor Graça explica que o objectivo é que “toda a gente consiga ter acesso à informação pela net”. E afirma: “A experiência está a ser espectacular, porque criamos uma ligação muito interessante com os idosos, que têm grande vontade de aceder ao conhecimento”.

Fonte: Jornal de Notícias